
Se a Amazônia fosse definida por uma única imagem de força, muitas pessoas pensariam na castanheira. Imponente, ela não apenas domina o dossel da floresta, mas sustenta todo um ecossistema ao seu redor.
A castanheira é uma espécie-chave: sua existência garante a vida de inúmeras outras espécies, e sua copa alta oferece a proteção necessária para que o sub-bosque floresça. Da mesma forma, a mulher na Amazônia atua como esse eixo central. Ela é a guardiã das sementes, a gestora da segurança alimentar da família e a voz que mantém viva a cultura do território.
A liderança que protege e prospera
Assim como a castanheira precisa de décadas para alcançar sua imponência, a liderança feminina na Amazônia é construída com resiliência, profundidade e luta. Na Rioterra, o protagonismo feminino é a regra: hoje, 51,32% do quadro de colaboradores é composto por mulheres, ocupando os postos mais altos da governança, como a presidência e a vice-presidência.

Essa força vem de uma capacidade constante de renovação e do compromisso de romper barreiras em setores historicamente masculinos. Para a presidente da Rioterra, Fabiana Barbosa, ocupar esse espaço é uma forma de garantir que as mulheres não estejam apenas na linha de frente, mas também no controle das decisões. “Muito do que a gente tem visto ao longo dos anos é que o papel da mulher, apesar de muitas vezes estar em espaços de coordenações, muitas vezes essas coordenações não são espaços de decisão. A ideia da Rioterra é trazer cada vez mais mulheres para espaços de decisões”.

Essa visão de cuidado e resistência é compartilhada pela vice-presidente da Rioterra, Iara Barberena, que enxerga na floresta um mestre sobre ciclos e resiliência. Para ela, a liderança feminina atua como o alicerce que permite ao coletivo prosperar com segurança, inspirada pela própria natureza. “A floresta para mim ela me ensinou muito sobre cura… ela me mostra muito sobre refletir e respeitar os meus ciclos. A questão da resiliência… a floresta, ela passa também uma mensagem de que existir é resistir”.

Para Dona Maria, que atua no viveiro da Rioterra em Itapuã, ser mulher na Amazônia é entender o ciclo da renovação. “Isso me ensinou que nós mulheres temos que se renovar todo dia… vai cheia de força, cheia de garra. Assim é a natureza”, afirma. Tal como a castanheira que resiste ao tempo, o trabalho de Maria em cultivar mudas de espécies como jatobá e castanha garante que o ciclo da vida não se apague.

Para Janete Bezerra, em Ariquemes, a castanheira representa o topo da realização. Ela descreve a árvore como a “famosa”, aquela que cresce buscando o sol enquanto seus frutos resistentes alimentam a terra. Para Janete, ser essa árvore no campo significa ser uma vencedora, ocupando espaços de decisão e garantindo que o alimento e a preservação caminhem juntos.

Para Solange, em Itapuã, conecta a castanheira à maternidade e à generosidade. “Ela é imponente… alimenta animais, pessoas e gera renda”. Ao cuidar de suas plantas com a delicadeza de quem cria um filho, Solange personifica a árvore que, mesmo sendo gigante e forte, existe para nutrir o seu entorno.

Já para Shirlei, a força da mulher indígena vem da conexão direta com a terra, um compromisso que ultrapassa as fronteiras da aldeia. “A gente costuma dizer que somos como a mãe natureza, como a terra que produz, cuida dos seus filhos. Estamos à frente de cuidar do nosso território e até mesmo do próprio planeta. Porque cuidar do nosso território, cuidar da nossa terra, é cuidar do planeta”.
As raízes que nos sustentam
A Rioterra expressa seu mais profundo agradecimento a cada uma de suas colaboradoras. Das profissionais que atuam na gestão estratégica, administrativa e financeira, às especialistas em campo, viveiristas e técnicas de extensão rural: vocês são as raízes que sustentam nossa missão.
É através do olhar, da competência e da dedicação de cada uma que faz parte da nossa equipe que transformamos indicadores em vida e hectares em esperança. Obrigado por escolherem ser castanheiras no nosso ecossistema e por provarem, todos os dias, que o futuro da Amazônia se escreve com mãos femininas.