Extensionistas da Rioterra passam por formação em crédito rural

Imersão em Ouro Preto do Oeste, conduzida com o apoio da Sitawi dentro do Projeto iCS Conexão Crédito, preparou a equipe para orientar agricultores familiares no acesso ao financiamento

Contrato de empréstimo, capacidade de pagamento, documentos exigidos por instituições financeiras. Esses foram alguns dos temas que ocuparam extensionistas, técnicos e coordenadores da Rioterra nos dias 28 e 29 de outubro, em Ouro Preto do Oeste (RO). A equipe participou de uma imersão em gestão financeira, crédito rural e educação financeira, conduzida em parceria com a Sitawi Finanças do Bem, dentro do Projeto iCS Conexão Crédito.

Foram dois dias completos de formação O primeiro dia começou pelos conceitos básicos do uso do dinheiro na agricultura, crédito responsável e análise de contrato. À tarde, o grupo percorreu a jornada de quem pede um financiamento, conheceu o Manual de Crédito Rural, conjunto de regras do Banco Central que orienta esse tipo de operação, montou um checklist de documentos e discutiu um estudo de caso. No segundo dia, o foco foi aprender a avaliar se uma família tem condições de pagar as parcelas sem comprometer a renda, e o que fazer depois que o crédito é liberado, incluindo a prestação de contas.

Jaderson Pinto, engenheiro agrônomo e analista de projetos da Rioterra, atuou ao lado da equipe da Sitawi como um dos aplicadores da formação. As duas organizações já haviam trabalhado juntas numa capacitação em gestão de propriedades. “A Sitawi hoje é uma das melhores referências em investimentos de impacto”, afirma.

Por que capacitar quem está no campo?

A formação responde a um problema que os extensionistas da Rioterra encontram todos os dias nas propriedades. O dinheiro para a agricultura familiar existe e cresce a cada ano. O Plano Safra 2026/2027 reservou R$ 85,2 bilhões para o Pronaf, quase 9% a mais que na safra anterior. Mesmo assim, segundo o Climate Policy Initiative (CPI/PUC-Rio), apenas 21% dos agricultores familiares acessaram o crédito do Pronaf no ano agrícola 2024/25.

Para Jaderson, os obstáculos são conhecidos: “Organização documental, comprovação de renda, regularização fundiária, garantias, avalistas e, o principal, um bom acompanhamento técnico.”

É nesse último ponto que entram os extensionistas, técnicos de assistência técnica e extensão rural (ATER) que acompanham as famílias de perto. O estudo do CPI mostra que a ATER é o fator que mais aumenta o acesso ao Pronaf nas regiões Norte e Nordeste.

A Rioterra trabalha há mais de duas décadas com regularização ambiental e restauração de áreas degradadas, em projetos como o Plantar Rondônia e o Quintais Amazônicos. “Percebemos que a regularização ambiental e a restauração, sozinhas, não garantem que o produtor consiga investir em sistemas produtivos sustentáveis. Esses modelos exigem investimento inicial, e o acesso ao crédito ainda é o principal gargalo”, explica Jaderson. “Entrar no crédito rural é a forma de transformar esse trabalho acumulado em renda, produtividade e permanência produtiva, completando o ciclo que começamos com a regularização.”

Da sala para as propriedades

A imersão presencial faz parte de um percurso maior. A formação começou com um encontro on-line em 16 de outubro e segue agora para o campo. Ao longo de novembro, os participantes levam os conteúdos de gestão e educação financeira para as famílias atendidas pelos projetos da Rioterra. O fechamento será on-line, em 27 de novembro, quando a equipe vai analisar os resultados desse trabalho prático.

“Esperamos continuar formando profissionais capacitados e, principalmente, com mais afinidade no mundo do crédito rural, combinando oferta consciente com educação financeira e gestão, trazendo não só o crédito para o beneficiado, e sim abrindo oportunidades para realmente fomentar a agricultura familiar através dele”, diz Jaderson.

O Projeto Conexão Crédito tem como financiador o iCS, Instituto Clima e Sociedade, e conta com parceiros como a Good Energies e o Instituto Arapyaú.