Dia de Campo em Triunfo mostra como transformar pasto em produtividade

Com teoria e prática, a atividade demonstrou soluções para o desafio da baixa produção e reforçou que eficiência e intensificação podem substituir a expansão.

Na Fazenda 3 Irmãos, em Triunfo, o Dia de Campo do projeto Pecuária+ reuniu produtores de gado leiteiro, técnicos e convidados para olhar de perto uma pergunta que atravessa o campo amazônico: por que tanta área aberta ainda entrega tão pouco e o que dá pra mudar sem “abrir mais”? A propriedade do Seu Nelson, produtor que participa do Pecuária+, foi usada como exemplo prático do que muda quando o pasto passa a ser tratado como manejo integrado e não somente como uma área disponível.

O encontro começou com um momento de explicação técnica e teórica, colocando no centro um diagnóstico que é quase consenso entre quem vive a rotina do setor: a produtividade ainda é baixa não por falta de trabalho, mas por falta de manejo, informação qualificada e decisões que sejam guiadas por critérios agronômicos.

Para o coordenador do Pecuária+, Lucas, a atividade existe justamente para encurtar esse caminho, porque “no contexto amazônico, [a pecuária] ainda é muito rudimentar” e a resolução desse o gargalo passa por acesso a assistência técnica e conhecimento replicável.

A parte teórica ganhou corpo quando a engenheira agrônoma Darline puxou o fio do que, na prática, muda o jogo: intensificação de pastagens não é “lotar” a área, mas fazer o solo e o capim trabalharem a favor do sistema, com correção, adubação, divisão em piquetes e manejo de entrada e saída dos animais. Ela explicou que, em áreas não intensificadas, é comum ver menos de um animal por hectare, enquanto em áreas bem conduzidas “você triplica, quadruplica ou até cinco, seis vezes mais animais nessa área” porque houve ajuste de gestão, fertilidade e manejo.

Na prática, os participantes do Dia de Campo foram ver isso “no chão”: como identificar o ponto certo do pasto, por que o capim passado perde qualidade e como a rotina de manejo evita degradação ao longo dos anos. Darline resumiu a lógica de forma direta: manejo é ensinar “como colher o capim”, na altura certa de entrada e saída, para manter uma pastagem produtiva por muito tempo, reduzindo retrabalho e custo.

É aqui que a dor da maioria dos produtores aparece com nitidez: muito hectare e pouca produção. E, ao mesmo tempo, é aqui que o Dia de Campo tenta virar a chave do raciocínio, não para vender um milagre, mas para mostrar um método. A extensionista do projeto Maria Júlia contou que a propriedade do Seu Nelson virou exemplo porque “só com esse manejo ideal… [e] adubação, ele teve um ganho de 500 litros a mais de leite por mês”, resultado que veio do ajuste no pasto e do rotacionado, sem depender de expansão de área.

A vivência no campo também ajudou a traduzir o que, para muita gente, ainda parece abstrato. Vabiana, produtora participante da atividade, disse que saiu com uma aprendizagem prática: “a coisa mais valiosa que eu aprendi hoje foi como poder rotacionar o gado”, porque na rotina de um pasto só “acaba não sobrando”.  Ela também destacou que temas como solo, calcário e análise foram, para ela, uma primeira vez, exatamente o tipo de conhecimento que costuma decidir se a mudança vai acontecer ou vai ficar na intenção.

No fim, o Dia de Campo na Fazenda 3 Irmãos do projeto Pecuária+ deixou uma mensagem: eficiência substitui expansão quando o produtor de gado tem acesso a orientação, consegue enxergar o resultado e entende o “porquê” de cada etapa, do solo ao manejo. Como sintetizou Darline, a intensificação é um conjunto de decisões para “numa menor área colocar mais animais” e, com isso, melhorar a produção e diminuir impactos ambientais.