Pesquisadores do INPA visitam a Rioterra para entender como a seca e o El Niño afetam as áreas de restauração florestal em Rondônia

Equipe do professor Philip Fearnside esteve em Porto Velho para conhecer nossos projetos e trocar informações sobre os efeitos do El Niño

Na última semana, recebemos na Rioterra, em Porto Velho, o professor Philip Fearnside, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), e uma equipe de doutorandos e pós-doutorandos. O grupo está na região realizando levantamentos sobre a dinâmica e as consequências do El Niño e das mudanças climáticas na floresta e nas áreas que passam por restauração e também entender como estão sendo as ações de adaptação climática realizadas pela Rioterra no desenvolvimento dos projetos.

Fearnside estuda a Amazônia há cerca de 50 anos e foi homenageado pelo INPA em agosto por essa trajetória. A visita chega num momento em que o assunto está em alta. Dados da NOAA, agência de clima dos Estados Unidos, divulgados em setembro, mostram que as águas do Pacífico já atingiram temperaturas de “super El Niño”, cerca de 2 °C acima da média. Em Rondônia, onde setembro já costuma ser o mês com mais focos de incêndio, isso significa mais calor, menos chuva e mais risco para quem planta.

Restauração que acontece todo ano

O interesse dos pesquisadores estava na experiência acumulada da Rioterra. “A Rioterra desenvolve projetos há mais de quinze anos, então temos processos de restauração acontecendo todo ano, sendo possível registrar todas as mudanças no ambiente ao longo dos anos”, explica Fabiana Gomes, presidente da Rioterra.

Cada nova área plantada acaba virando também uma fonte de informação sobre como a floresta responde a anos mais secos. “Eles queriam entender um pouco dessa dinâmica, tanto da parte econômica quanto ambiental, como estão sendo impactados por todo esse processo de meses muito secos, da estiagem e também dessa alteração no microclima, e das chuvas fora de época”, conta Fabiana.

(Entrar como nota – somente uma explicação do termo microclima) O microclima é o clima de uma área pequena, como uma propriedade ou um trecho de mata. Ele inclui a temperatura, a umidade e a sombra naquele ponto específico. Quando ele muda, as mudas recém-plantadas sentem primeiro, porque ainda não têm raízes profundas nem copa formada para se proteger do sol e da falta de água.

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Das dificuldades às soluções

A conversa reuniu Fabiana, a coordenadora de ATER (assistência técnica e extensão rural), Vitória, e a equipe de análise e geoprocessamento da Rioterra. “Podemos realmente, compartilhar essas informações, os desafios que os projetos vêm sofrendo em relação às alterações  que vêm ocorrendo no clima, e toda essa dinâmica das estiagens e das secas que tivemos nos últimos anos. E como nós buscamos e implementamos  soluções, frente a estas condições”, relata a presidente.

Os pesquisadores, por sua vez, apresentaram as ferramentas que usam no trabalho. Uma delas é o sensoriamento remoto, que analisa a floresta a partir de imagens de satélites e geoprocessamento, que cruza essas imagens com mapas e dados de campo. Esse tipo de acompanhamento ajuda a medir, em grandes áreas, onde a vegetação está crescendo, onde sofreu com a seca e onde o fogo passou.

Outro ponto da conversa foi o carbono. “A Rioterra desenvolve pesquisa de carbono há muito tempo, então eles também buscam entender essa dinâmica do carbono no solo e na biomassa”, diz Fabiana. Biomassa é tudo o que a planta acumula em tronco, galhos, folhas e raízes. Quem trabalha com restauração e com clima precisa entender quanto carbono fica guardado ali e no solo, e quanto se perde em anos de seca.

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Ciência e campo lado a lado

Para a Rioterra, a visita reforça algo que praticamos há mais de duas décadas: a restauração funciona melhor quando o trabalho de campo conversa com a pesquisa. “Foi um momento importante de compartilhar também contatos, de compartilhar pesquisas”, resume Fabiana.

Nossa equipe também explicou aos pesquisadores como funciona a logística da próxima etapa da viagem. De Porto Velho, o grupo segue para o sul do Amazonas, uma região vizinha que recebe muitos dos impactos que vêm de Rondônia. Lá, os pesquisadores continuam coletando dados sobre os efeitos do El Niño e das mudanças climáticas na floresta e nas áreas em recuperação.