TI Igarapé Lourdes recebe capacitação sobre coleta de sementes

Em três dias de atividades no âmbito do Projeto Restaura Amazônia, cerca de 140 indígenas dos povos Ikólóéhj (Gavião) e Karo (Arara) participaram de capacitação técnica sobre coleta de sementes florestais nativas.

Entre os dias 22 e 24 de junho de 2026, a Terra Indígena Igarapé Lourdes, no município de Ji-Paraná, em Rondônia, recebeu uma programação, onde a Rioterra, em parceria com a ASSIZA (Associação Indígena Zavidjaj Djigúhr), entidade representativa do povo Ikólóéhj (Gavião de Rondônia), realizou um workshop de apresentação e uma capacitação técnica voltados aos povos indígenas Ikólóéhj (Gavião) e Karo (Arara), como parte das ações do Projeto Restaura Amazônia.

Ao longo dos três dias, cerca de 140 pessoas estiveram presentes, entre indígenas das duas comunidades e equipe técnica da Rioterra. O primeiro dia foi dedicado à apresentação do projeto às lideranças e representantes das comunidades, com explicação dos objetivos, das áreas contempladas e da importância de formar uma Rede de Coletores de Sementes Florestais Nativas com participação indígena.

Nos dias seguintes, as atividades avançaram para a capacitação prática: os participantes aprenderam sobre restauração florestal, identificação de árvores matrizes, boas práticas de coleta, beneficiamento, armazenamento e comercialização de sementes, com demonstrações feitas diretamente em campo, dentro da própria terra indígena.

A coleta de sementes florestais é uma das etapas mais importantes dos processos de restauração da Amazônia. Sem sementes em quantidade e qualidade suficientes, não há como recompor as florestas em larga escala. Formar redes de coletores em comunidades que vivem dentro ou próximas à floresta é, portanto, uma estratégia que combina eficiência técnica com geração de renda para quem já guarda esse conhecimento há gerações.

Josias Gavião, coordenador do projeto, conta que o encontro foi uma via de mão dupla. “Foi verdadeiramente uma troca de saberes. Os nossos coletores trouxeram o conhecimento que já têm aqui dentro, com o qual trabalham há muito tempo, e a Rioterra também trouxe novas técnicas, mostrando como fazem o trabalho fora daqui. Inclusive trouxe alguns equipamentos, mostrando como se usa cada um em cada atividade.”

Para Leandro Santos, supervisor de Produção de Mudas da Rioterra e um dos responsáveis pela capacitação, a experiência foi além do previsto. “Para mim, como dei essa capacitação, foi uma experiência extremamente enriquecedora. Tive a oportunidade de compartilhar conhecimentos e, ao mesmo tempo, aprender com os participantes, o que foi algo muito significativo. Ver o interesse, o comprometimento e a vontade de aprender de cada pessoa reforçou ainda mais a importância da educação ambiental e da troca de experiências para fortalecer a conservação das florestas”, disse.

A analista ambiental Beatriz Rocha, que integrou a equipe da Rioterra nas atividades, descreveu a experiência como uma oportunidade rara de aprendizado mútuo. “É gratificante trazermos o suporte técnico e as metodologias de restauração, mas também estar na TI Igarapé Lourdes para aprender com a cultura desses povos. Se faz importante entender como o manejo tradicional pode dialogar com as técnicas propostas, para que a restauração não seja algo imposto, mas algo que faça sentido cultural e prático para os indígenas da TI. A floresta que pretendemos recuperar é a mesma que sustenta a identidade desses povos, e é esse respeito pela cultura que vai garantir que o trabalho que começou no Restaura Amazônia floresça e permaneça por muitas gerações.”