Em Ariquemes, estudantes da Escola Municipal Mafalda Rodrigues participaram de uma ação de plantio de mudas nativas em parceria com a Rioterra. A atividade integrou práticas de educação ambiental ao currículo escolar, promovendo discussões sobre desmatamento, restauração e o papel da comunidade na conservação do território, com o objetivo de fortalecer a compreensão sobre a importância da preservação ambiental para as futuras gerações.

A professora Almira Santana da Silva relata que o projeto surgiu da junção entre uma necessidade pedagógica e uma preocupação já existente entre os educadores: “A gente já tinha o plano de fazer o reflorestamento. E os alunos do segundo ano precisavam fazer um trabalho de plantio. A professora Betânia conhecia o pessoal da Rioterra e sugeriu que fizéssemos um reflorestamento. Foi através dela que conhecemos o projeto”, conta.
A área escolhida para o plantio enfrenta há anos um processo de degradação. Onde antes havia fartura de água, hoje o solo seco é uma lembrança viva das consequências do desmatamento. “Quando a gente começou a abrir os lotes, não tinha essa visão de preservar ao redor das nascentes. Derrubamos tudo. A água sumiu”, relata Almira, com a sinceridade de quem reconhece os erros do passado e aposta na educação para não repeti-los.
A proposta da ação é simples, mas profundamente simbólica: plantar árvores onde antes elas foram retiradas. Fazer isso com crianças é, ao mesmo tempo, um gesto de reparação e de futuro. “Espero que isso sirva para eles como uma lição diferente da que a gente teve, que eles tenham uma visão de que não pode ser assim, que precisa preservar para ter água no futuro”, completa a professora.


Delmar Custódio, agricultor da região e um dos incentivadores do projeto, reforça que a transformação é também cultural. “A maioria dos alunos aqui são filhos de agricultores. Eles acham que vão ter que sair do sítio para buscar emprego, mas o trabalho está aqui, perto. A gente quer que eles aprendam a valorizar a terra e também a vida.”
Para Delmar, o que os alunos estão vivenciando pode impactar não apenas a relação deles com o meio ambiente, mas também sua própria identidade. “Hoje a gente sabe que dá pra viver da terra com menos espaço e mais conhecimento. Antes a gente plantava sem saber. Agora tem tecnologia, tem orientação. Eles estão aprendendo isso desde cedo.”

Esse plantio integra uma das frentes do projeto Agro Verde, que até fevereiro de 2026 será responsável pela entrega de 400 mil mudas para replantio em áreas degradadas. Parte dessas mudas chegou justamente às mãos de estudantes e agricultores como Almira e Delmar, fortalecendo o vínculo entre educação, produção e restauração.
O projeto quer cultivar uma nova mentalidade. Uma que compreenda que desenvolvimento não precisa ser sinônimo de destruição e que preservar é, sobretudo, um ato de cuidado com as futuras gerações.
“Quando eles forem pais, avós, vão lembrar que lá no segundo ano aprenderam que não pode sair derrubando tudo. Aprenderam a reconstruir a natureza”, finaliza Almira.
A ação faz parte das atividades do projeto Agro Verde, desenvolvido pela Rioterra em parceria com a Reforest’Action e com financiamento do Amazon Biodiversity Fund (ABF). Esta é a segunda matéria da série especial sobre os plantios realizados durante o período de chuvas na floresta. As reportagens acompanham, de perto, as ações que estão transformando paisagens e mentalidades, uma muda de cada vez.