No dia 26 de janeiro, o Centro de Bioeconomia e Conservação da Amazônia (CBCA), em Porto Velho, foi o local escolhido por pesquisadores de renome nacional e equipe técnica da Rioterra para instalação do primeiro Sítio de Estudo de Longa Duração (SELD) de Rondônia, voltado ao melhoramento genético de espécies florestais nativas para silvicultura de madeiras sólidas. A atividade envolveu alunos de engenharia florestal, professores universitários e comunidade do entorno do CBCA.
A área de plantio ocupa 8 hectares, onde estão sendo cultivadas cerca de 8.888 mudas com espaçamento de 3×3 metros. Entre as espécies selecionadas estão ipê-amarelo, cumaru, mogno, cedro, castanha-do-brasil, marupá, bandarra e só-brasil (nomes populares), todas com alto valor ecológico, econômico e, por isso, ameaçadas pela exploração ilegal. As mudas foram produzidas pela Ecoporé, parceira do projeto.

Segundo o professor Andrei, da Universidade Federal do Sul da Bahia e coordenador do Programa de Desenvolvimento de Silvicultura de Espécies Nativas, “esse é o primeiro teste de progênie do programa no Brasil, que marca o início de um processo essencial para a conservação e o aumento da produtividade das espécies florestais nativas”.

O teste de progênie é uma etapa central no programa de melhoramento genético. Ele permite identificar, selecionar e cruzar as árvores que apresentarem melhor desempenho, com o objetivo de gerar sementes superiores e ampliar a produtividade de madeira, frutos e óleos essenciais sem comprometer as florestas naturais. “Ao produzir madeira em áreas planejadas e com tecnologia, evitamos o desmatamento da mata nativa”, reforça Andrei.
A iniciativa é considerada pioneira por abranger um número expressivo de espécies amazônicas, que normalmente não são alvo de estudos tão aprofundados. A ação no CBCA também reafirma o compromisso da Rioterra com a ciência por trás da restauração ecológica e a valorização dos saberes locais. A atividade conta com a participação da comunidade da Vila do Teotônio, que acompanha de perto as transformações do território. A integração entre conhecimento técnico e vivência amazônica é um dos pilares do CBCA, pensado como um centro de conservação com inclusão social.


Além de gerar impacto ambiental imediato com o plantio, o SELD de Rondônia abre caminho para uma série de experimentos de longo prazo. A expectativa é que os dados coletados no local orientem políticas públicas e privadas voltadas à restauração, produção sustentável e fortalecimento da bioeconomia na Amazônia.
“Hoje estamos implantando uma base histórica. Esse projeto pode ser o início de um banco de germoplasma nacional para espécies nativas, dando suporte técnico para o futuro da clonagem, da produção de sementes e do desenvolvimento sustentável com base florestal”, conclui o professor Andrei.
A implantação do primeiro SELD é uma realização do Centro de Inovações da Amazônia – Rioterra, em parceria com a Coalizão Agricultura, Floresta e Clima, a Universidade Federal do Sul da Bahia e o Programa de Desenvolvimento em Silvicultura de Espécies Nativas, com apoio financeiro da Bezos Earth Fund. A iniciativa reúne esforços técnicos e científicos para fortalecer a pesquisa aplicada na Amazônia e promover modelos sustentáveis de uso da biodiversidade florestal.
O que é o CBCA?

O Centro de Bioeconomia e Conservação da Amazônia (CBCA) é uma iniciativa inédita no bioma amazônico, fruto da parceria entre a AXIA Energia, o Instituto Amazônia+21 e o Centro de Inovações da Amazônia – Rioterra com o objetivo de aprofundar conhecimentos e científicos, bem como disseminar boas práticas de restauração na Amazônia. Localizado na Vila do Teotônio, o Centro ocupa uma área de 1.000 hectares no entorno da Hidrelétrica Santo Antônio, destinada pela AXIA Energia para a implantação do CBCA. Mais de 300 hectares já estão em processo de restauração florestal e a parceria permitirá o desenvolvimento de projetos e pesquisas no local ao longo de 25 anos.