Viveiro da Rioterra recebe assessoria técnica para ampliar a produção de mudas

Silva, startup especializada em cadeia de restauração, visita estruturas da Rioterra e identifica potencial para escalar produção de mudas nativas na Amazônia

O viveiro da Rioterra, em Itapuã, recebeu no dia 16 de maio uma visita para mudar a escala da restauração florestal na Amazônia. Guilherme Faganello, engenheiro florestal e sócio-diretor técnico da Silva, startup especializada em fortalecer a cadeia de suprimento de restauração florestal no Brasil, passou dois dias conhecendo de perto as operações da Rioterra: o viveiro, a Floresta Nacional do Jamari, em Itapuã do Oeste, e o Centro de Bioeconomia e Conservação da Amazônia (CBCA).

A visita faz parte de um movimento que define a Rioterra: a busca constante por qualificação técnica e por novas formas de ampliar a escala da restauração florestal na Amazônia. Receber uma empresa como a Silva, referência nacional no fortalecimento de viveiros, é uma forma concreta de trazer conhecimento externo para dentro de uma estrutura que já funciona bem e quer funcionar melhor ainda.“O grau de profissionalismo que a Rioterra atua, seja na gestão do viveiro, nas operações do viveiro ou da coleta de sementes, toda essa organização, todo esse cuidado, os detalhes que eles dedicam às atividades me chamaram a atenção de forma muito positiva”, disse Guilherme.

“Normalmente, viveiros de mudas florestais nativas não conseguem ter esse fôlego, essa atenção toda para esse profissionalismo.”

Para Guilherme, o viveiro não é apenas um espaço de produção. É ele quem determina o que vai crescer.

“O viveiro dita qual é a biodiversidade, qual é a qualidade, se vão ter espécies que vão atrair fauna, se vão ter espécies que vão gerar uma copa mais robusta, que vão servir de casa para os animais, não só comida. Se vão sequestrar carbono. Toda a parte ecológica do plantio vem do viveiro e vem da coleta de sementes”, explicou. 

Para a Amazônia, onde a restauração florestal ainda engatinha em comparação com outros biomas, contar com viveiros dessa qualidade como o da Rioterra é ainda mais decisivo.

“Instituições que conseguem atuar de ponta a ponta, com tantos hectares restaurados como a Rioterra tem, é bem raro”, avaliou o engenheiro.

Mas mesmo quem já chegou longe reconhece que ainda há espaço para crescer. A visita da Silva foi exatamente isso: um olhar externo qualificado sobre uma estrutura que já funciona bem e que quer funcionar melhor. “Por mais que a Rioterra tenha uma capacidade internalizada muito grande do processo da restauração, sempre há espaço para crescer”, comentou Lucas. “A Silva tem um leque muito grande de outros viveiros com os quais trabalha, uma equipe muito bem capacitada, e consegue nos dar um norte para ajudar nessa crescente profissionalização, nesse aumento ainda maior de escala.”

Floresta que já é floresta

A visita ao CBCA foi um dos pontos altos dos dias de Guilherme em Rondônia. Ver o plantio, entender como as mudas chegam ao campo e como a operação funciona depois que as mudas saem do viveiro é parte fundamental do diagnóstico técnico. Para ele, viveiro e campo precisam estar em sincronia.

“O viveiro tem que estar casado, tem que estar em harmonia com a forma em que opera o plantio na restauração”, disse. E o que ele viu nas áreas plantadas o surpreendeu positivamente. “Pelo que eu pude ver ali do plantio, logo em poucos anos viram floresta.”

É essa capacidade de transformar áreas degradadas em ecossistemas funcionais que coloca a Rioterra em um lugar raro no cenário da restauração florestal brasileira. Uma organização que começou em 1999, em Porto Velho, e que hoje é reconhecida como referência nacional no setor.